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Espere, mas não presuma que homens liderarão

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Por Darryl Burling

Nos anos 90, os seriados de televisão corroeram a liderança masculina ao retratar a figura do pai no lar como o alívio cômico e o alvo das piadas, ao invés de provedor sábio e fiel das décadas anteriores. No século 21, a cultura continuou a deixar o papel dos homens em segundo plano, substituindo a liderança dos homens pelo protagonismo das mulheres.

Não foi apenas o papel masculino bíblico marginalizado, mas a própria noção de gênero tornou-se fluida. As pessoas agora se recusam a ser rotuladas com o gênero de seus corpos físicos e a sexualidade assumiu um propósito utilitário, sendo vista como uma saída para a realização pessoal e de identidade, ao invés de administrar a função e o caráter que Deus pretendia que as pessoas cumprissem. É justo dizer que pouco se espera dos homens hoje.

O Efeito na Igreja

O impacto desse fenômeno na igreja é profundo e deve despertar urgência para conselheiros e igrejas. Em seu livro, The Making of an Atheist, James Spiegel baseia-se na observação desenvolvida por Paul Vitz, Professor de Psicologia na Universidade de Nova Iorque, no qual aponta para uma correlação direta entre a crença de crianças e o papel de seus pais. Ele documenta numerosos indivíduos conhecidos que se tornaram ateus ou abandonaram o teísmo e aponta que seus pais estavam ausentes (por exemplo, eles morreram quando eram jovens ou deixaram o ambiente familiar), ou eram pais fracos ou abusivos. Estes incluem homens como David Hume, Fredrick Nietzsche, Bertrant Russell, Jean-Paul Sartre, Sigmund Freud, H.G. Wells e outros. Semelhantemente, Spiegel considera os teístas notáveis dos mesmos períodos e observa que, em geral, seus pais eram líderes que investiam na educação daqueles que estavam em casa.[1]

O ponto é que onde há pais fortes, as crianças são mais propensas a perseguir o teísmo, mas quando os homens são ausentes, fracos ou abusivos, as crianças têm uma grande chance de abandonar o teísmo. Embora isso não signifique que o resultado seja garantido, não há dúvidas de que a erosão da liderança masculina nos últimos 60 anos acompanha de perto o declínio da frequência à igreja no mesmo período.

O Efeito na Liderança

Não é somente a frequência à igreja (e envolvimento masculino em geral) que é fraca hoje, mas a liderança da igreja em muitas congregações é frágil e débil. Dr. Kyle Swanson escreveu recentemente em sua tese de doutorado: “A igreja ocidental e a família cristã estão enfrentando uma crise de liderança, pois há uma tendência crescente de meninos e jovens que afirmam Cristo negligenciar o mandato dado por Deus para a maturidade masculina e tudo o que isso implica, seja por sair do propósito ou por ignorância”.[2] A preocupação do Dr. Swanson é que os jovens agora estão se recusando a assumir os papéis que Deus ordenou para eles até os 30 anos de idade.

O resultado é que os homens na faixa dos 40 e 50 anos são frequentemente inexperientes e inaptos para as posições de liderança para as quais são desesperadamente necessários. Em contraste, das mulheres é esperado que tenham o sucesso desejado pelos pais trabalhadores e muitas ainda se encontram forçadas por homens jovens a lidar, como num malabarismo, com as responsabilidades de seus trabalhos fora de casa. O resultado é que essas mulheres capazes frequentemente se destacam e assumem papéis de liderança na igreja e na sociedade que os homens tradicionalmente mantinham. Para ser claro, a questão não é tanto que as mulheres estejam assumindo papéis na sociedade, porém, que os homens estão cada vez mais inaptos de fazê-lo. Em algumas áreas da igreja, isso está chegando a um ponto de crise e levando à feminização da igreja.

A Suposição Apostólica de Paulo

Homens são criados e chamados para liderar. Essa é a suposição por trás da exortação de Paulo a Timóteo em 1Timóteo 2-3 sobre como a igreja deve funcionar. Paulo presume que os homens liderarão, e muitas discussões sobre o papel das mulheres na igreja tendem a ignorar este fato. Ele assume isso porque a sociedade à qual ele está falando era patriarcal[3]. Ou seja, no primeiro século, Éfeso era uma sociedade liderada por homens, de modo que tanto Paul quanto seus leitores se comunicaram dentro de uma visão de mundo complementarista.

É claro que isso não significa que Paulo presuma que os homens deveriam liderar porque era culturalmente aceitável na época, como se a cultura fosse determinante nos papéis de homens e mulheres. Paulo argumenta, a partir da ordem da criação de Deus e do mandato de domínio de Gênesis 1-2, que os homens devem liderar (1Timóteo 2:13). No entanto, se Paulo estivesse escrevendo 1Timóteo para uma audiência ocidental moderna, ele não seria capaz de se comunicar com as mesmas suposições de visão de mundo. Em vez disso, ele teria que argumentar que os homens deveriam liderar e chamariam os homens ocidentais para assumir o mandato para o qual Deus os criou e ao qual Ele os chama.

Um Chamado para Reconhecer a Excelente Visão sobre Homens de Deus

Tipicamente nos colocamos na medida das expectativas que nos são impostas e as mulheres, nas últimas décadas, se colocaram na medida da expectativa delas mesmas; nem todas são positivas. No entanto, o que se esperava dos homens diminuiu e eles se caíram bruscamente para realizar essas pequenas expectativas. Existe agora uma necessidade urgente dentro da igreja de articular e argumentar que Deus tem um chamado excelente para os homens.

Os homens precisam entender que Deus irá, em última análise, responsabilizá-los pela saúde de seu casamento e pela maturidade e dignidade de suas famílias. Deuteronômio chama os homens a ensinarem aos filhos os caminhos do Senhor (Deuteronômio 6), e as Escrituras usam a habilidade de um homem para liderar e pastorear sua família como referência para o ministério na igreja (1 Timóteo 3). Essa liderança requer trabalho duro e diligência para preservar não apenas a integridade da família, mas também o foco piedoso no homem, sua esposa e crianças.

Como conselheiros, não podemos mais presumir que os homens que aconselhamos sabem o que significa ser homem. Tampouco podemos supor que as esposas entenderão o que devem esperar de seus maridos e quando e como se submeter a eles. Parte do treinamento para os conselheiros bíblicos deve incluir uma compreensão do que significa ser homem e o que significa liderar em nossas igrejas. Precisamos esperar mais dos homens e publicamente chamá-los aos padrões de Deus.

Embora a crise de masculinidade seja mais grave em algumas áreas do que em outras, não podemos pressupor que os homens sejam conhecedores desta verdade.[4] A cultura está trabalhando ativamente para elevar as expectativas das mulheres. A menos que ajamos para fazer o mesmo com os homens, sua marginalização só continuará e a situação piorará. A menos que a igreja esteja ativamente trabalhando para derrubar a cosmovisão secular, a igreja ficará cada vez mais fraca.

 

Perguntas para Reflexão

Quais expectativas você coloca sobre aqueles que você aconselha ou treina com relação à sua identidade como homens ou mulheres? Como podemos aumentar as expectativas dos homens sem comprometer o chamado deles para que sejam amorosos e graciosos no lar, na igreja e na sociedade?

 

Notas:

[1] James S. Spiegel, The Making of an Atheist: How Immorality Leads to Unbelief (Chicago: Moody Press, 2010), 64ff.

[2] Kyle J. Swanson, “The Church’s Masculine Maturity Crisis: Toward a Biblical Counseling Paradigm for Engaging Emerging Adults,” (Doctoral Dissertation: The Southern Baptist Theological Seminary, 2017), 2.

[3] S. M. Baugh resume, “Como outras cidades-estados greco-romanas, sua sociedade era geralmente patriarcal, embora algumas meninas e mulheres de famílias abastadas e influentes aparecessem em certos lugares de honra e posição de patrocinador tanto em Éfeso como em outros lugares da Ásia Menor. De Éfeso, as evidências atestam algumas dessas mulheres (algumas, como Vedia Marcia, no início da adolescência), em comparação com várias centenas de homens (e possivelmente também meninos no início da adolescência)”. Veja todo o artigo em, A Foreign World in Andreas J. Köstenberger, Thomas R. Schreiner eds. Women in the Church: An Interpretation and Application of 1 Timothy 2:9-15 (Wheaton: Crossway), 60. Kindle.

[4] Take men for granted.


>> Orginal em Biblical Counseling Coalition
Tradução de T. Zambelli

Sobre o autor: Darryl Burling é um aluno de PhD em Aconselhamento Bíblico no Southern Baptist Theological Seminary e professor adjunto de Aconselhamento Bíblico no Boyce College. Ele também ensina Grego de nível intermediário no masterntgreek.com e é envolvido com Aconselhamento Bíblico na Nova Zelândia. Ele mora em New Plymouth, Nova Zelândia, com sua esposa e filhas.

Clique aqui para acessar mais materiais de Darryl Burling.

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