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Nove diretrizes para aconselhar pessoas com pensamento suicida

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Por Robert Jones

Como você deve ministrar para amigos ou aconselhados que parecem ser suicidas? Embora a questão impeça a discussão de sinais de alerta e orientações bíblicas mais completas, considere nove diretrizes introdutórias.

1. Entre no mundo da pessoa e mostre um cuidado especial quanto aos fatores estressores que alimentam o pensamento suicida.

O risco de suicídio exige que você amplifique suas habilidades de cuidado e relacionamento. Valorize e desenvolva uma atitude carinhosa e compassiva.

 

2. Se a pessoa não falou sobre suicídio, mas você tem uma suspeita, pergunte a ela.

Aborde o assunto. Rejeite o mito de que falar sobre o assunto pode induzir a pessoa ao suicídio. A pessoa que manifesta sinais provavelmente já pensou em suicídio em algum momento. Levantar a questão transmite segurança para a pessoa conversar sobre o assunto. A gravidade desse problema supera qualquer risco potencial. Perguntas como estas abaixo podem ajudar (com cada resposta levando à próxima pergunta):

“Você já pensou em suicídio?” Se sim, então…
“Quantas vezes?” “Quando foi a última vez?” “Você está pensando nisso agora?” Se sim, então…
“Como você faria isso?” “Qual é o seu plano?”

Se a pessoa expressar intenção suicida, consulte a diretriz 8 abaixo.

 

3. Trabalhe duro para entender suas pressões circunstanciais, bem como suas crenças e motivações.

Pessoas suicidas operam com uma lógica interna, por mais distorcida que possa parecer para você. Embora geralmente envolva algo do tipo “a vida não vale a pena” ou “não mereço viver, então vou acabar com minha vida”, não há uma causa única para o suicídio (por exemplo, nem toda pessoa suicida está deprimida). Conheça a pessoa.

Incentive a pessoa a falar livremente, especialmente sobre seus pensamentos aparentemente irracionais ou irresponsáveis. Expressar reações de assombro (“o que você pensa que está fazendo?”) ou pejorativas (“você não está pensando em fazer algo estúpido, não é?”) pode desconectar você da pessoa. Por mais pecaminosa ou tola sua lógica possa parecer, é o pensamento dela e você deve procurar compreendê-la.

 

4. Ministre o evangelho.

Traga a esperança de Jesus Cristo e Suas multiformes provisões de salvação. Isso inclui primeiramente desvendar, com gentileza e cuidado, as respostas de seu coração às pressões da vida e, depois, apresentar a beleza e o poder de Cristo que transformam a vida.

Passagens da Bíblia como Salmos 46 e 73, Lamentações 3:18-26, João 6:67-69, João 10:1-18, 1 Coríntios 10:13-14, 2 Coríntios 1:3-11, 2 Coríntios 4: 7-18, 2 Coríntios  12:7-10, 2 Timóteo 4:16-17 e Hebreus 4:12-16 ensinam a realidade e severidade do sofrimento, a soberania e os propósitos de Deus em permitir dificuldades, o amor de Deus em Cristo e a presença conosco nas provações, a graça de Deus que perdoa e fortalece e a vida plena e abundante que Jesus promete a todos que confiam nele e o seguem.

 

5. Peça pessoalmente à pessoa para não cometer suicídio.

Apele para ele. Use razões racionais e relacionais para convencê-lo. Ao mesmo tempo, perceba que repreender uma pessoa suicida raramente é útil ou necessário. A maioria das pessoas, no fundo, sabe que está errada. Em vez de uma abordagem do tipo “por que você faria uma coisa tão má?”, considere uma abordagem compassiva: “Ajude-me a entender como sua vida se tornou tão difícil a ponto de você considerar o suicídio uma saída”. Concentre-se nas motivações mais profundas do coração e na solução melhor que Cristo oferece (1 Cor. 10:13-14).

 

6. Lembre-se que a pessoa cuja vida é tão infeliz que acha que precisa acabar com ela provavelmente precisa abandonar essa vida e encontrar em Jesus uma nova vida.

Considere o conceito de Jay Adams de “discordância compreensiva”, no qual você concorda com o diagnóstico da pessoa (“meu amigo, esta vida que você vive precisa terminar”), mas, com simpatia, discorda do remédio considerado (“mas eu tenho uma maneira para acabar com sua vida que é um milhão de vezes melhor do que o seu plano”).

 

7. Não ministre sozinho.

Tanto quanto a pessoa permitir, procure conectá-la a alguns crentes maduros e atenciosos, especialmente aqueles que ela admira ou respeita (talvez dentro de seu pequeno grupo). Trabalhe com eles como uma equipe de assistência para ajudar a assistir, cuidar e encorajar a pessoa.

 

8. Leve a sério as ameaças da pessoa; é melhor errar no excesso de segurança.

Não assuma que ameaças ou tentativas são apenas pedidos de ajuda – elas podem ser ameaças ou tentativas de se matar. Não ignore esses sinais.

Dependendo do grau de risco, peça à pessoa que concorde (verbalmente ou por escrito) que: (a) não se machucará; (b) se tiver pensamentos suicidas, entrará em contato com você ou outro conselheiro (especificar quem); e (c) ela fará as tarefas e seguirá o plano que você está oferecendo. Embora um acordo, mesmo por escrito, não possa impedir o suicídio, ele adiciona um obstáculo ético adicional – uma promessa feita a você – que pode prevenir a pessoa de ir adiante.

Se o risco parecer imediato ou a pessoa não aceitar o acordo acima, contate um membro da família ou um responsável para acompanhá-la e ligue para o CVV 188 ou SAMU 192 para relatar a situação* (“Estou aqui com uma pessoa com intenção de cometer suicídio. O que devo fazer?”). Em caso de risco iminente ou tentativa concreta de suicídio, uma internação hospitalar pode ser necessária. Embora essas etapas possam provocar a raiva da pessoa, é melhor que ela esteja viva e com raiva do que morta.

*No Brasil, o Ministério da Saúde mantém parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), instituição voltada ao apoio emocional por meio de ligação telefônica gratuita.

 

9. Lembre-se que o suicídio é uma escolha da pessoa.

Você não pode impedir a pessoa de encontrar uma maneira de cometer suicídio. Mas você não é responsável pela escolha dela. Como um amigo ou conselheiro preocupado e cuidadoso, você é particularmente propenso a essa mentira. (No primeiro dia do meu programa de doutorado em aconselhamento bíblico, meu professor perguntou: “O que você faria se tivesse aconselhado uma pessoa com sabedoria e carinho, mas descobrisse no dia seguinte que ela se matou?”). Não carregue em seus ombros a decisão errada de outra pessoa.

Embora você não consiga resolver todos os problemas que uma pessoa suicida enfrenta, você pode, em espírito de oração, direcioná-la para Aquele que pode. Você pode se comprometer a caminhar com ela durante suas lutas. Ore para que ela tenha uma visão de Jesus que seja suficiente para esse momento; uma visão que a fará escolher o que Simão Pedro escolheu quando outros se afastaram de Jesus: “Senhor, a quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus” (João 6:68-69).

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Robert Jones é professor de aconselhamento bíblico no Southern Baptist Theological Seminary em Louisville (EUA). Ele também atua como professor visitante em vários seminários nos EUA e no Brasil. Robert Jones tem mestrado no The King’s College (M.Div.) e no Westminster Theological Seminary (D.Min.) e doutorado na Universidade da África do Sul (D.Theol.). Ele é membro da Associação de Conselheiros Bíblicos Certificados nos EUA.

Texto original (em inglês): Nine Guidelines for Counseling Suicidal People, disponível em: https://biblicalcounselingcoalition.org/2019/09/09/nine-guidelines-for-counseling-suicidal-people/

Tradução e adaptação por Alexandre Valotta da Silva.

Este post foi copiado da Igreja Batista de Bragança Paulista

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